Despedida

1 jul

Olá, caro leitor. Sinto que devo despedir-me apropriadamente de ti que me acompanhou por tanto tempo. Todas as confissões que te fiz aqui e pra mais ninguém, me ajudaram bastante mas, é hora de ir, de seguir em frente. As coisas não estão nada fáceis. A verdade é que muitos dos que me acompanharam sempre devem ter pensado que tudo poderia ter um final feliz, infelizmente não teve, e eu escrevia na esperança de relembrar e curtir enquanto foi bom. O A.A hoje em dia fala comigo vez ou outra, nós nunca demos certo. Nós fomos melhores amigos por todos esses anos, nunca mais que isso. Ele está para casar, já planeja filhos, está se formando na faculdade, já não tem tempo para mim. Meus irmãos já tem suas mulheres e filhos, Rafael foi embora para o Ceará e eu nunca mais o vi. Todos os romances que tive não deram certo, seja na adolescência ou agora na vida adulta. Eu afundei em depressão e também tenho lutado contra meu transtorno de ansiedade. Por muitas vezes eu pensei em desistir da vida, a verdade é que eu só estou tentando descobrir um motivo para não desistir dela. Relembrar o passado não vai me fazer bem nenhum, só vai trazer mais dor. Me desculpem por falhar com vocês.

Will, obrigado pelo comentário, talvez tu nunca leias este post, mas preciso dizer que por muitas vezes eu voltei aqui só pra ler teu comentário, fez com que eu me sentisse especial e me salvou diversas vezes em momentos difíceis, obrigado. Desejo-te tudo de mais especial nesta vida.will.png

Essa é a morte definitiva deste blog, não postarei mais aqui. Quero recomeçar do zero, escrever um romance fictício e não mais sobre mim. Quero pensar em um mundo imaginário onde um final feliz acontece, se alguns de vocês ainda não perderam fé em mim, peço que me acompanhem neste novo projeto que pretendo começar, deixarei aqui o link: contosdearmario.wordpress.com

Até mais, ou adeus, espero que todos vocês encontrem seus finais felizes.

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Capítulo 24 – Cinema

16 nov

     Olá, caro leitor. Eu confesso que estive com medo de retratar os últimos meses de 2010 pois foram uma etapa muito boa da minha vida e eu temo não ter habilidade suficiente para retratar de forma fiel e clara o suficiente para te fazer sentir o mesmo enquanto lês. Aqui chegamos em uma “encruzilhada do destino”, aqui foi quando eu tomei uma decisão sábia( ou cometi o maior erro de todos, fica a teu critério). Sem mais explicações te dou o papel de juiz e espero que tu faças de maneira justa.

     Após eu contar para o A.A, ele se mostrou curioso por minhas experiências e se mostrava sempre interessado na minha história com meus irmãos, sobre como fazíamos e sobre o que fazíamos. O Rafael havia me evitado um pouco após a minha declaração de amor, mas no fim nós acabamos ficando no mesmo grupo de um trabalho de artes que consistia em visitar umas exposições artísticas do Arte Pará, as exposições ocorreram em vários museus e pontos turísticos de Belém e nós deveríamos visitar ao menos dois, escolhemos o museu do estado do Pará e o museu da UFPA. Então o grupo formado por Rafael, A.A, Tainá e eu decidiu se encontrar na frente do museu do estado do Pará e depois passearmos pelo forte do castelo. O museu do Pará é um lugar lindo, não eram permitidas fotografias dentro dele, tivemos que deixar nossas coisas em um guarda volumes e então passeamos por lá, sempre fazendo piadas sobre a aparência de uma obra ou outra. Finalmente o Rafael me tratava bem, pude admirar o sorriso nos olhos dele e a forma que ele franzia a testa ao olhar com curiosidade para alguma obra, ele não era uma das pessoas mais “eruditas”, mas apreciou bastante o passeio. Meu estomago e coração travavam uma guerra dentro de mim, embrulhavam e apertavam toda vez que eu ouvia a risada do Rafael. Aqueles olhos verdes, aquela pele branquinha e lisa, aquele corpo alto e forte de homem formado enquanto eu e o A.A ainda estávamos no auge da puberdade. Eu pude perceber um clima entre o Rafael e a Tainá, vi que algumas vezes ele abraçava ela por trás e ela era toda risos… Acabamos do museu e fomos andando até o forte do castelo que fica bem pertinho, apenas uns 5 minutos de caminhada, por lá ficamos vendo o por do sol, tirando fotos e conversando. O clima era agradável e eu me sentia incrivelmente maravilhado com tudo, pude perceber que agora eu admirava não só o Rafael, mas o A.A também. Foi se aproximando a noite e decidimos voltar, quando estávamos todos juntos na parada de ônibus, me surgiu a ideia de marcar um cinema, eu sou um fã assumido de Harry Potter e na época iria estrear o “relíquias da morte – parte 1”, nós ainda estávamos no meio de outubro e o filme estrearia em novembro, porém eu sou do tipo que planeja tudo com MUITA antecedência. Todos concordaram em ir pro cine, o A.A não conhecia bem o enredo dos filmes então eu tratei de passar um “curso intensivo” dos filmes no decorrer dos dias, enquanto isso o Rafael voltou a falar comigo normalmente e decidiu me chamar pra conversar, disse que precisava de um favor e que só eu poderia ajudar, neste momento meu coração apertou de ansiedade e eu fiz a minha expressão mais séria o possível. Ele começou dizendo “Sabe, Ricardo. Sei que é difícil para ti ouvir isso de mim, mas só tu podes conseguir o que quero. Preciso que tu convença a Tainá a ficar comigo, pois eu gosto muito dela e acho ela bonita. Sei que vocês tem bastante intimidade já que vocês se chamam de primos(A Tainá era louca de amores por minha tia e dizia ser filha dela, assim… éramos primos…), poxa, conversa com ela, por favor!”. Inicialmente eu fiquei triste, pois o cara que eu amava disse que amava minha melhor amiga e ainda estava me pedindo para ser o cupido! Pensei em dizer não, mas como na época era um leitor fiel de Nicholas Sparks, disse que sim.

     O A.A foi a pessoa mais incrível de todas, ele ouviu eu contar sobre minha conversa com o Rafael e sobre minha missão de fazer ele ficar com a Tainá. Eu era adolescente, os hormônios a mil, então eu chorei, chorei muito nos braços do A.A que era sempre de uma paciência infinita. Juntos traçamos o plano de fazer o Rafael sentar do lado da Tainá no cinema no dia do filme, cada vez que pensava na data, o frio tomava conta da barriga. O dia foi chegando e contamos nosso plano para o Rafael, de cara ele concordou e assim fomos todos ao cinema. Compramos pipocas, milk shakes de Ovomaltine, entramos na sala de cinema e nos organizamos assim Rafael/Tainá/Eu/A.A. Ela meio que percebeu o que queríamos e fez uma cara de desgosto no início mas depois se conformou, afinal, o Rafael tinha um bom charme. O filme foi rolando e quando eu olhei pro lado vi a Tainá usando o ombro do Rafael como travesseiro, decidi fazer o mesmo no A.A que aceitou sem dizer nada, até se acomodou melhor na cadeira para ficar confortável para mim. Eu percebi ele meio ofegante, percebi que eu estava ficando excitado com aquilo e meu coração era um baterista de heavy metal no peito… Chegou então a parte em que o Dobby morre(Spoiler haha), eu olhei para o Rafael e vi que a Tainá chorava abraçada com ele, eu também chorava, so que no ombro do A.A. Ele começou a falar comigo e virava a cabeça na minha direção e eu na direção da dele, como eu estava apoiado no ombro dele, nossos rostos estavam próximos, eu podia sentir o hálito de menta do halls que ele tinha na boca, podia sentir a respiração quente dele acariciar meu rosto, e então enquanto ele falava, nós fomos nos aproximando e eu passei a enxergar só o lábio dele, a respiração dele e a minha eram uma só, meu coração ainda em disparada, fui fechando meus olhos e deixando o clima me levar, senti meu nariz encostar na bochecha dele e agora éramos só nós dois, não havia mais cinema ou cadeiras, estávamos a sós mesmo com a sala de cinema lotada, quando senti que ele iria terminar de percorrer a distância que faltava para nossos lábios se tocarem… O tempo parou, veio de súbito todas as lembranças de todas as conversas que tivemos, todas as perguntas curiosas dele, a voz dele afirmando ser heterossexual… “Mas somos adolescentes, é a fase da experimentação”, eu pensava… E aqui, caro leitor. É que vem na minha mente a imagem de uma estrada que se divide em duas, eu tinha que decidir entre seguir o caminho do desejo, do Eros, o caminho que poderia culminar em uma paixão carnal por ele, pondo em risco nossa amizade!!! E o outro… O caminho em que eu optaria por não beijar ele em respeito à heterossexualidade dele e por medo de perder nossa amizade. Eu desejava ele, ele era o cara mais incrível de todos, poderia me ajudar a esquecer o Rafael e ele me entendia. Eu era a indecisão em pessoa… O nariz dele agora percorria minha testa e da testa foi até meu olho fechado, senti ele respirar pela boca e me dei conta de que a boca dele estava bem pertinho da minha, minha boca se abriu levemente para o beijo e… Senti um estalo na cabeça dizendo “Não, não faz isso, ele é teu amigo e é hetero”, Fugi antes que nossos lábios se tocassem e sentei na minha cadeira evitando contato físico com ele, o resto do filme foi meio torturante pois eu não sabia o que fazer ou o que dizer, apenas sofri em silêncio… Quando saímos do cine, já andando pelos corredores do shopping comentando sobre o filme, o Rafael diz “Cara, eu posso jurar que quando olhei pro lado, vi vocês dois se beijando” Nessa hora eu quis me enterrar de vergonha, o A.A negou dizendo que nada aconteceu e eu concordei. Cada um foi para a sua casa, foi meio estranho, mas eu realmente havia ficado muito excitado com o acontecido, e também fiquei remoendo o quase beijo… A sensação da respiração do A.A, do hálito dele, do rosto dele tocando no meu… Tudo aquilo foi incrível, mas eu não podia ir contra a opção sexual dele. Até hoje eu sinto vontade de voltar naquela época e prosseguir, ver como seria hoje em dia se eu houvesse optado pelo beijo. Já não bastava sofrer pelo Rafael, agora eu sofria pelo A.A… Então, leitor. O que farias tu em meu lugar? Percebes o porquê de eu ter te dado o papel de juiz? Escrever este capítulo realmente me fez reviver aquela paixão juvenil…

      E por aqui fico, esperando tua próxima visita, para que eu continue a te confessar a minha vida. Até mais.

Mar fechado

4 nov

Olá, caro leitor. Como tens passado? Há muito tempo desde nosso último contato, 3 anos passaram e muita coisa aconteceu, histórias retratados neste blog nos capítulos anteriores tiveram desfechos, recomeços, subidas, descidas… Mas afinal, o que faço aqui depois de tanto tempo? Senti saudades, senti culpa, senti vergonha, senti medo… Saudades de desabafar minhas cargas emocionais nestas linhas em que te ocupas agora; Culpa por abandonar-te sem explicações e deixar-te ao relento sem saber o que aconteceu; Vergonha de me expor mais, algumas vezes escrevi aqui sentindo dor por ter de reviver a cada letra, cada vírgula, cada ponto de acontecimentos que eu queria esquecer. Mas então, oras… Pra que escrevi? Porque eu precisava de ajuda, de alguém que me abraçasse na fase difícil que foi minha adolescência. Hoje eu estou aqui pois há em mim um sentimento extremamente incontrolável de escrever, hoje escrevo-te por prazer e não mais para remediar uma dor. Houve um comentário em outro post em que alguém perguntava se eu estava bem. Sim, estou. Não aches que “estar bem” é viver uma vida doce e perfeitinha, depois de tanto tempo eu descobri que a vida é agridoce. Ainda vivo sequelas dos acontecimentos de 6 anos atrás, talvez seja construtivo eu reescrever aqui. Minha memória sobre aqueles fatos aos poucos se apaga e se ilude… Mas por favor, tenha paciência, pois eu hei de escrever-te os pormenores o mais brevemente possível. Agora há muitas variáveis que consumem o meu tempo, vida adulta não é tão fácil quanto parecia nos filmes que eu via aos 16… Bom, por aqui fico e voltarei outro dia após juntar minhas lembranças sobre o fim de 2010 para então dar continuidade de onde parei.

Capitulo 23 – Resumos e revelações – parte 2

5 jul

    Saí da escola naquela tarde ensolarada de 06 outubro de 2010. Nada mais me incomodava, nem mochila pesada ou o sol forte, muito menos a enorme distância entre a escola e a minha casa. Como precisava economizar dinheiro, quando eu saia de casa e ia para escola levava o dinheiro somente de ida e depois, voltava a pé. A distância chegava a ser de mais ou menos 3,5 ou 4 quilômetros. Era cansativa, mas me dava muito tempo para pensar, e naquele momento era o que mais precisava. Eu tinha me declarado para alguém, eu tinha me exposto de uma forma que eu nunca tinha feito, foi muito assustador mas ao mesmo tempo me deixou mais leve. O que me preocupava era o fato de ter de contar sobre minha sexualidade para outra pessoa. Parece que o tempo não estava passando enquanto eu andava, nem sentia mais meu corpo. Tudo se resumia em “Tenho de contar tudo pro A.A, mas como contarei?”.

   Em casa fiz o que era rotina: Falei com a mamãe, jantei, fui pro quarto, assisti tv e dormi. No dia seguinte, 07/10/10, acordei tarde, quase onze da manhã, tomei banho, assisti tv, comi e fui pra escola. Cheguei cedo como de costume, eram 12:30 e os alunos do turno da manhã estavam de saída enquanto eu estava entrando. Fui deitar debaixo da árvore que eu sempre ia. Fiquei remoendo a forma que eu ensaiei para contar para o A.A, e um pouco depois ele chega na escola e também foi para debaixo da mesma árvore. Eu me sentei e cumprimentei como de costume, disse que tinha algo para contar pra ele, mas diferentemente da estratégia que eu usei com o Rafael, com o A.A fui mais objetivo, porém as palavras engatavam na garganta e arranhavam ao sair.

“Eu queria te contar uma coisa, eu já contei pro Rafael e ele disse que eu tinha de te contar. Eu gosto de homens, não só pra amizade, eu tenho atração sexual por eles, mas não só por homens, por mulheres também. Sou bissexual.”

Eu não conseguia olhar diretamente nos olhos dele, mas consegui reparar a expressão facial dele. Ele estava sério, mas de uma forma séria que indica atenção. Diferente do Rafael, o A.A demonstrou “aceitar” a minha opção. Eu me lembro que a conversa desse dia foi ótima, ele me fazia muitas perguntas. Eu acabei contando pra ele sobre eu estar gostando do Rafael, depois ele me perguntou sobre o que eu tinha preferência: homens ou mulheres. Eu no tempo não era muito decidido e disse pra ele “tanto faz”. Mas no fundo eu sentia preferência por homens. 

  Dentro da sala de aula eu avisei pro Rafael que havia contado para o A.A sobre minha sexualidade, Rafael me tratou de um modo estranho e no fim da aula saiu junto com o A.A. Até hoje me pergunto sobre o que eles tratavam. Agora eu entendo o porquê do Rafael ter pedido para eu contar para o A.A, o Rafael precisava conversar com alguém sobre o assunto, ele precisava conversar com alguém que ele confiasse, por isso que praticamente me obrigou a contar. Se eu estivesse no lugar dele teria feito a mesma coisa.

   Uma semana inteira se passou e o Rafael me evitava, falava comigo o mínimo possível, aquilo me deixava triste, até longe de mim ele passou a sentar. Naquele tempo eu queria voltar no tempo, poder desfazer a “burrada” que foi a de contar para o Rafael que eu amava ele. O que eu sentia por ele era muito forte, perdi a conta das vezes que chorei ouvindo musicas românticas. Uma das músicas que me marcaram naquele tempo foi clocks do coldplay, foi a música que me impulsionou a tocar teclado. Mas enfim, minha mente começa a falhar, tem coisas que não lembro sobre o fim de 2010, mas prometo me esforçar e juntar as lembranças para formar o quebra cabeça. Amigo leitor, obrigado por tudo, até a próxima!

Capitulo 23 – Resumos e revelações

2 jul

Quem nunca gostou de sair com os amigos? Sabe de uma coisa meu amigo leitor? Eu saía muito com meus amigos. Tenho foto dos passeios que tive com o A.A, Rafael e uma menina que aos poucos foi se tornando uma grande amiga, cujo nome aqui será… Ayla.  

    Meu ano de 2010 pode-se dizer que foi o ano dourado. Foi um ano marcante, pelo fato de querer dar uma acelerada para chegar nos dias atuais eu irei resumir mais ainda algumas coisas e contar somente os fatos mais importantes. No final de agosto de 2010 minha mãe resolveu finalmente denunciar meu padrasto devido as agressões físicas que ele fazia nela. Inicialmente foi algo complicado ir para a escola, voltar da escola, comprar pão da padaria e etc… meu (agora) ex-padrasto ficava rodando de carro pelo quarteirão tentando ver se via minha mãe, ele simplesmente estava obcecado e isso era ruim. Em casa só restaram dois moradores: eu e minha mãe. Sim, tudo ficou um tanto solitário, mas por outro lado era bom, não tínhamos mais brigas e eu me aproximei mais da minha mãe. 

   O mês de setembro não teve grandes acontecimentos. Eu estava caidinho pelo Rafael e pelo A.A. Sim, eu chorava as vezes por estar confuso, resolvi até fazer musicas sobre isso. Meu maior companheiro de segredos era meu violão, quantas vezes o som dele encobriu o som do meu choro de amor… De repente chegamos em outubro, e aí que vamos centralizar o nosso real assunto deste capitulo. Eu contei para o Rafael sobre a minha (até então, má formada) bissexualidade. Calma leitor, vou contar tudinho pra você, Tim-Tim por Tim-Tim.

     Era dia 06 de outubro, aniversário do Rafael. Eu comprei um chaveiro legal para ele, tinha uma luvinha de boxe nele. Todos desejaram parabéns para o Rafael, eu disse para ele que tinha comprado uma luva de boxe para ele e mandei ele olhar na minha mochila, até que ele descobriu que era um chaveiro e todos riram. Eu disse para ele que tinha mais dois presentes e que esses seriam mais valiosos que o chaveiro, pois o chaveiro era só um simbolismo. Depois da aula o A.A e o Rafael saíram juntos da sala e foram ao meu encontro. Eu pedi para o A.A deixar eu e o Rafael a sós. Após meu pedido ser atendido o Rafael perguntou “Pronto ele já foi, o que é esse presente para quereres tanto segredo?”. E eu, a quase 3 anos atrás, respondi assim:

“Rafael, eu disse que além do chaveiro eu tinha mais dois presentes para te dar, um deles é a verdade, e o outro eu direi depois de te contar tudo. Então Rafael, eu sou bissexual, gosto de homens e mulheres. e algumas das vezes(quase todas) que te contei sobre ter saído com mulheres era mentira, na verdade saí com homens.”

 Nesse momento senti ele recuar um pouco, deu um passo para trás e se escorou em uma parede e a cara dele fechou um pouco, não muito, somente deixou de sorrir e passou a olhar pra mim de uma forma mais séria. Eu estudei um pouco a reação dele e decidi continuar pois sentia minha coragem sumindo.

“Pois é Rafael, esse foi o primeiro presente. O segundo presente é o meu amor. Rafael, és um cara bonito e legal. Além do mais és super divertido. Eu estou sentindo amor por ti. Tem noites que eu sonho contigo, as vezes quando mando mensagens ou ligo é porque to sentindo tua falta. Sei que não gostas que eu te ligue todos os dias, mas é a verdade. Quando ficaste operado eu fiquei super preocupado contigo e não conseguia pensar em outra coisa a não ser a tua recuperação. Poxa, até as minhas provas eu coloquei teu nome para não ficares prejudicado. Eu to mesmo te amando!”

 Então o rosto dele que estava sério, fechou de vez, eu silenciei, parece que eu tinha tirado um enorme peso das costas, mas por outro lado eu estava me sentindo fraco e exausto. Fora a vergonha que me bateu por ter dito tudo aquilo. Ele se afastou mais um passo e disse com voz de quem está sentindo raiva:

 ” Olha Ricardo, sabes que eu não gosto desse tipo de brincadeira. Para de graça!”

 “Eu não estou brincando Rafael! Eu só falei a verdade!”

 “Então tudo é verdade? Sabes que eu não sou gay né? Todo esse tempo estavas se aproveitando da minha confiança em ti?”

 “Não Rafael, eu juro que não tentei me aproveitar de ti em nenhum momento! Eu sei que gostas de mulheres, eu te respeito e muito para tentar algo.”

 Nesse momento ele pegou as coisas dele e desceu as escadas da escola e eu fui atrás, quando estávamos próximo do portão de saída eu disse “Espera Rafael!” e ele rapidamente me pegou pelo braço, mas sem violência, só com firmeza. Me olhou nos olhos e disse “Eu vou te dar até amanhã para contar isso para o A.A, se consideras ele teu amigo ele tem de saber, esse tipo de coisa não se esconde. Conta para ele até amanhã!”. Nesse momento ele foi embora e eu fiquei parado, pensando, pernas bambas, vontade de chorar, as palavras dele ecoando na cabeça, a conversa todinha se repetindo dentro de mim. E o pior de tudo “Conta pra ele até amanhã!”. E eu estava pensando em como contar….

Um grande erro

13 abr

 Bom, como todos aqueles que leram ou que ainda acompanham meu blog desde o inicio conseguiram perceber. Cometi um grande erro, uma espécie de desvio de trajeto. Antes eu amava meu irmão, de certa forma ainda amo ele. Ele era a única pessoa que tinha passe livre no meu mundo imaginário que criei, só porque eu nunca consegui achar algum grupo em que eu me encaixe nessa dimensão chamada “realidade”. Nunca consegui me sentir bem perto de caras héteros, eles sempre falavam usando palavrões e outros palavreados vulgares, também falavam de mulheres gostosas e futebol. Nunca consegui me sentir bem perto de pessoas que falam palavrões como se fossem virgulas e também nunca vi tanta graça em mulheres. Sabe, eu sempre quis me enganar dizendo ser Bissexual, sim eu tive transas com mulheres, mas só por curiosidade, nunca senti prazer… Nunca me senti bem perto dos gays/homossexuais da escola, porque eu não sou afeminado, não entendo muitas gírias gays e não me visto com as roupas que a maioria dos gays vestem. Nunca me senti bem andando com garotas, nunca tive assunto para ter amizade com elas. Mas que merda que eu era/sou? A que grupo eu pertenço? Não me sinto bem com os heteros, homossexuais e com as mulheres… Qual é o meu lugar? Eu me vi cheio destes questionamentos e negações que eu repetia a mim mesmo quando mais novo e as vezes repito: “Eu não posso ser gay! eu não posso ser gay!” Quantas noites de sono eu perdi pensando no meu futuro? “eu não vou me casar com uma mulher” eu pensava, mas também como poderei eu encontrar um homem? Eu sou confuso e me confundo. Este meu ser sorumbático de uns dias pra cá está me dominando. Agora se confundi a você que está lendo-me, irei explicar…

  Hoje vou falar do meu presente, esqueçamos o passado por um tempo. Estou me aproximando dos meus 18 anos, tempo que começam as “saidinhas” para festas e encontrar com os colegas de farra. Devido a algumas coisas que me aconteceram no passado(que ainda relatarei nos capítulos da minha história). Eu me tornei um cara “quase” solitário. Minha vida resumisse em trabalhar, ler alguns livros, estudar e também estar com o A.A. E aí mora o problema, eu tenho vivido preso ao meu mundo dentro de outro mundo chamado “armário”. Estou escondido, com medo de começar essa fase nova da minha vida. Eu continuo amando o A.A, na verdade, estou amando mais e mais a cada dia. E ele continua a ser hétero e eu continuo a ser o melhor amigo dele, cujo qual, ouve todos os problemas e sabe de todas as garotas com quem ele sai. É muito doloroso ver meu melhor amigo e grande amor saindo com outras pessoas. Ele está cada vez mais másculo, as feições fofas de criança que ele tinha quando eu conheci ele, estão dando lugar a um rosto de homem maduro. Até a voz dele mudou, a forma de agir, falar, pensar… Ele confia em mim, ele acha que eu não olho para ele com desejo. Mas a carne é fraca! Como posso eu resistir a um cara que tem tudo o que eu procuro? Eu me sinto no dever de me distanciar dele para não dar encima dele, mas por outro lado eu sinto necessidade de ficar junto dele. Mas ele tem um grupo de amigos héteros que saem para jogar bilhar e para beber em festas, pegar garotas e etc… Depois do Danilo(meu irmão) a única pessoa que entrou no meu mundinho particular foi o A.A, ele sabe tanta coisa sobre mim. Ele me pede para sair com ele, mas eu sinto vergonha de mim mesmo. Imagina o que as pessoas iriam pensar em ver nós dois juntos? Um hétero e um gay juntos. Minha presença pode prejudicar ele, mesmo eu parecendo mais hétero que muitos caras, pois não sou afeminado e me comporto como se fosse alguém que eu não sou. No fundo dá para alguém sentir a diferença entre um gay que se faz de hétero e um hétero de verdade. Conheci uns carinhas que moram por perto de casa, mas não me sinto bem com eles por eles serem gays afeminados. Eu não consigo estar perto dos amigos do meu amigo por serem héteros, eu não consigo estar perto de caras com a mesma opção sexual que eu, e eu já não consigo ficar só.

  O A.A tem deixado meus dias cada vez mais especiais, as vezes ele me trata como se fossemos namorados, mas eu sei que é só uma ilusão minha, na verdade ele me trata como alguém que se importa comigo. Por que eu me nego? Por que eu tive de me apaixonar logo pelo meu melhor amigo? Por que ele teve logo de ser hétero? Aqui me despeço deixando um texto sem pé nem cabeça, um texto sem a conclusão, varias perguntas sem respostas e de certeza só tenho uma: Nunca estive tão longe de vez a luz do sol que está além da porta do meu armário quanto hoje…

Capitulo 22: Confuso

14 mar

A partir de agora estamos entrando em uma fase complicada da minha vida, passei a ser mais adolescente, emoções a mil, apaixonites agudas, raiva, choro, amores, aventuras e etc. Começarei a contar neste capitulo os ultimos meses de 2010. Estes últimos meses impactaram na minha vida de forma imensurável, suas conseqüências refletem até hoje em minha personalidade e em minha vida de todas as formas. Se nada tivesse acontecido, eu talvez não estivesse escrevendo para você, caro leitor. Por isso, quero presentear-lhe com um capitulo detalhado, extenso e semi-completo. Os outros são somente os esqueletos da real história, estou a escrever um livro, primeiro escrevo os resumos, cujos quais você está lendo aqui neste blog. No possível livro, será de maior entendimento, pois contarei coisas que aqui não contei, coisas que ajudam a entender mais os personagens aqui citados. Mesmo que o livro não seja publicado, darei de presente a alguém…
Começarei da semana posterior ao meu encontro com o Augusto, era agosto de 2010, aproximadamente dia 18 ou mais, por aí. Eu passei a conversar com um menino que morava próximo a minha casa, o nome dele era Iago, encontrei ele no Orkut do Augusto. Iago era um menino meio baixo, 1,67 de altura, gordinho, bem roliço mesmo e andava sempre perto da sua melhor amiga Ilda. Ele era um pouco afeminado, até na voz, comecei a suspeitar o motivo de ele estar no Orkut do Augusto. Todas as noites sentávamos na calçada da esquina da rua dele, ficava a uns 70 metros de casa e não era movimentada. Ele me contou que conhecia o Augusto e que era melhor amigo da NAMORADA do Augusto, e contou que o Augusto havia dado encima dele inúmeras vezes, o Iago não gostava dele e sempre recusava as ofertas do Augusto. Todas aquelas revelações tinham um gosto ácido na garganta, eram difíceis de engolir e muito mais difíceis de digerir.
Na escola, A.A e Rafael sentavam junto comigo na parte da frente da sala. A.A ficava ao meu lado, carteira encostada com carteira. Já o Rafael, sentava atrás de mim, ficava com as pernas abertas e entre elas a minha cadeira. Era uma distância relativamente perigosa entre a parte sexual dele e minha bunda, quase impossível não ficar excitado. Ele apoiava os pés em uma parte embaixo da cadeira, deixando os joelhos elevados a tal ponto que eu conseguia apoiar meus braços neles e em parte das coxas grossas do Rafael. Fazia mais de duas semanas que o A.A havia entrado na escola, mas já era popular, as pessoas perceberam que a dupla Rick e Rafael havia virado um trio com a chegada do A.A. Sabe, eu estava cada vez mais apegado ao Rafael e amava a forma que ele ficava sentado atrás de mim, eu queria abraçar ele e sentir o calor do corpo dele, sentir a respiração e a movimentação que o corpo faz quando os pulmões enchem-se de ar. Continuava a mandar mensagens todos os dias para ele, continuava a fazer as tarefas dele. A.A era inteligente demais e tinha pensamento rápido, aquilo me fascinava, fazia e ainda faz contas matemáticas tão rápido quanto uma calculadora. Tinha um bom papo, mas era de poucas palavras. O A.A tinha sorriso lindo, lábios bem grossos e ele usava aparelho, eu sempre tive queda por homens que usavam aparelho!
Era noite, um céu sem estrelas, haviam nuvens avermelhadas que ameaçavam acabar com os nossos planos de conversar no canto da rua do Iago. Como sempre, estávamos nós 3: Eu, Iago e Ilda. Conversávamos sobre assuntos variados, mas todos os assuntos me faziam falar do Rafael, eu sempre ficava todo bobo quando falava dele, mas falar dele não agradava nem um pouco meus companheiros de rua, todos estavam cansados de ouvir todos os dias eu enumerar as qualidades do Rafael, ou de contar o que fizemos na escola, ou da forma como ele ficava sentado atrás de mim e da forma como eu me apoiava nas pernas dele só para sentir as cochas musculosas e fartas que ele tinha. Paixões adolescentes são as piores, ou as melhores, depende do ponto de vista, escolha o seu. O Iago adorava que eu fizesse massagem nele, e eu adorava sentir o corpo dele, pegar em seus ombros largos, passar a mão na sua costa, sentir a barriga gorda dele. Eu sempre tive uma queda do tamanho de um abismo por caras gordos ou grandões. Eu não falo de altura, falo de largura, e ao Iago, largura era o que ele mais tinha. As vezes conversávamos sobre sexo e ele revelou que era virgem, pelo menos em parte, ele era virgem. Havia feito somente oral em dois caras e um deles era o primo dele chamado Lucas. O Lucas era um menino muito bonito, vivia em academia, tinha carro do ano e usava roupas de marca. Era freqüentador de baladas e curtia alguns boys de vez em quando. O trabalho dele rendia uma bela soma em dinheiro todos os meses, mesmo assim, ele recebia uma mesada dos pais, opa! Esqueci de dizer, ele tinha 19 anos.
O Iago estava sentado ao meu lado na calçada e a Ilda em pé. Eu não consigo recordar o assunto que conversávamos, mas eu acabei por falar do Rafael novamente, Iago apertou minhas bochechas e disse “cala a boca!” e nesse momento ele me beijou. O beijo não passou de um “selinho”, não foi algo especial e mágico, não houve prazer ou sabor, meu corpo não manifestou nenhuma sensação por mínima fosse. Mas a tática dele funcionou, eu me calei e limpei a boca, não propositalmente, mas por instinto. Eu só achava o corpo do Iago bonito, eu não me sentia atraído por ele. Ele percebeu que eu baixei a guarda, e após a Ilda ir para a casa dela, ele me convidou para entrar na casa dele com o pretexto de me mostrar uns filmes que ele iria me emprestar. Os pais do Iago viviam fora de casa e somente o irmão dele ficava lá, mas ficava trancado no quarto. A propósito, o irmão dele tinha 21 anos e ele 18. Eu entrei na casa dele, sentei no sofá, pedi água e ele foi buscar, quando voltou eu percebi no olhar dele que algo iria acontecer, ele esperou eu beber a água e se jogou para cima de mim lá no sofá da casa dele, me deu um beijo selvagem, forçou a língua a entrar na minha boca, eu com relutância dei passagem. De repente ele se joga no chão e me puxa junto. Eu caí por cima dele e entrei na brincadeira, minha mão achou carne macia e farta localizada na bunda, ele também fez o mesmo, ficamos esfregando um pau no outro (ainda dentro das suas respectivas bermudas jeans). Ele sentiu meu pau duro e novamente ficou em cima de mim, sentou no meu colo e acariciou minha barriga, depois ele começou a se esfregar em meu corpo enquanto foi deitando encima de mim. Depois de ficar deitado me deu um beijo e começou a descer o rosto em direção ao meu pau, desabotoou minha bermuda jeans e foi abrindo o zíper, quando do nada… PAM!!! Eu me dei conta que eu não via o Iago e no lugar dele eu imaginava outra pessoa, para a surpresa minha e para a sua surpresa, não era o Rafael. Eu imaginei o A.A! Isso mesmo, eu estava vendo ele no lugar do Iago. Eu segurei a mão do Iago que estava a apertar o meu pau ainda dentro da cueca, pedi para pararmos, disse que eu queria ir embora e acabei indo. Saí da casa dele meio confuso, sem entender nada, questionando o porque de imaginar o A.A e não o Rafael, eu nunca tinha visto o A.A de forma erótica, ele era só um cara legal da minha escola. Pensamentos invadiam a minha cabeça, cenas em que eu beijava e estava a transar com o A.A, em que eu fazia sexo oral nele,tirava as calças dele, abraçava… Eu tentava parar de pensar naquilo, mas meu auto-controle mostrou-se fraco. Tomei um banho de água gelada e saí tremendo o queixo e pelos arrepiados, me deitei na minha cama e adormeci pensando no A.A e no Rafael.
De manhã cedo fui para a educação física, o A.A e o Rafael não foram. Saindo de lá, fui para a casa da vovó que ficava muito próximo da escola. Almocei por lá, tomei um banho e voltei para a escola. Cheguei muito cedo, eram aproximadamente 12:50 por aí, deitei-me próximo a uma árvore para desfrutar da sombra combinada a brisa que lá batia constantemente. Usei a mochila de travesseiro e coloquei os fones de ouvido, a música que comecei a ouvir era linda, Amado, cantada pela Vanessa da Mata e composta pelo Marcelo Jenecí. Para quem não ouviu, a letra fala sobre desilusão amorosa, um amor que não se pode ter e tals. Fechei os olhos e comecei a chorar, mas eu não sabia por quem era, não sabia se chorava pelo Rafael ou pelo A.A, mas eu chorava, pensava no que aconteceu na noite anterior, pensava no A.A e no Rafael. A sombra que a árvore fazia deixava uns raios de sol caírem gentilmente sobre meus olhos que estavam fechados. Uma sombra tampou estes raios e um perfume sedutor e viciante encheu minhas narinas, uma voz familiar disse “Por que choras? Posso ajudar em alguma coisa?” Era ele, o A.A estava sentado próximo a minha cabeça e me olhava de forma meio carinhosa e com uma expressão preocupada. Eu contei para ele sobre um amor que eu tinha e sobre as confusões que eu estava vivendo, logicamente eu não contei sobre os meus amores serem homens. Ele aparentou engolir a estória toda e continuou a conversar comigo, eu me senti melhor e reparei que muitas pessoas já estavam chegando no pátio da escola e muitas mais já estavam estudando embaixo de outras árvores ou em algumas arquibancadas próximas a quadra de basquete. Aquela conversa com ele me deixou mais confuso ainda, pois diferente do Rafael, o A.A era um cara meio sensível, se importava com os outros, daí pra frente passei a reparar mais nele. Nos levantamos e fomos para a sala de aula garantir os nossos lugares na primeira fila.